Prefeitura realiza audiência pública sobre o Sisapa

Evento reunirá a comunidade para discutir melhorias no sistema de saneamento do município   Nesta quarta-feira (30), às 19h, no auditório da prefeitura, será realizada audiência pública sobre o Sistema de Saneamento de Pedro Afonso (Sisapa). O objetivo é reunir a comunidade para apresentar a realidade do saneamento no município, e dialogar sobre as melhorias necessárias para que ele continue viável e seja capaz de oferecer um melhor serviço para a população.   De acordo com Clarindo Rocha Silva, diretor do Sisapa, a administração atual está preocupada em modernizar o sistema para que ele possa atender à demanda – atual e futura – com eficiência, oferecendo um serviço de qualidade à comunidade de Pedro Afonso. O maior empecilho, no entanto, é a necessidade de altos investimentos. “O quadro de comando está velho, as bombas estão velhas, os filtros. O ideal seria termos uma Estação de Tratamento de Água (ETA) – com equipamentos novos, um reservatório com mais capacidade – nova, mas isso custa de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões”, explica ele.   Clarindo diz que a modernização é necessária porque o sistema está defasado, uma vez que não foi projetado para atender à demanda atual. “Quando o sistema foi instalado, era para atender aproximadamente 5 mil pessoas, e hoje o município está com cerca de 13 mil habitantes. Estamos fazendo algumas melhorias: em breve será instalado um reservatório na Portelinha, e a leitura, que era arcaica, manual, agora será feita com palmtop, permitindo a consulta ao sistema e a impressão das faturas na hora. Essas adaptações, uma gestão mais profissional, é importante para que a população, o consumidor, fique satisfeito com o nosso sistema de água”, diz ele.   Para Clarindo, um dos grandes entraves para os investimentos no Sisapa é o valor da taxa cobrada, que está entre as menores do Brasil. “Aqui em Pedro Afonso, a taxa mínima, para 15 m³, é de R$ 14,50. Nós consultamos as taxas de alguns municípios para comparar: em Itacajá, por exemplo, a taxa para 10 m³ é de cerca de R$ 20, e nos municípios que são atendidos pela Companhia de Saneamento do Tocantins (Saneatins), a taxa mínima, para 10 m³, é e cerca de R$ 28. Então nós oferecemos mais água, por uma taxa muito baixa”, pondera ele.   Segundo o prefeito Jairo Mariano, esse déficit na tarifa tem comprometido o equilíbrio financeiro do Sisapa, e tirado investimentos de outros setores do município. “A tarifa chega a ser três vezes menor do que em outros municípios do estado. Quando nós assumimos, pudemos observar que há um déficit de caixa no Sisapa. Para este ano, a estimativa é que ele tenha um orçamento de aproximadamente R$ 1 milhão, que não é suficiente para cobrir os custos operacionais, de pessoal e de investimentos. Com isso, precisamos aplicar o dinheiro arrecadado com outros tributos no Sisapa, o que não é coerente”, considera o prefeito.   A opinião de Clarindo e do prefeito é corroborada pelo vice-prefeito Gilmar Lacerda. “O Sisapa tem representado uma grande preocupação para o município, pois demanda uma grande quantidade de recursos para que possamos manter ele hoje. O sistema é viável, não visa lucro, apenas cobrir as despesas de manutenção e investimentos, mas é preciso melhorar a arrecadação, e assim, devemos discutir um reajuste”, defende.   De acordo com o diretor do Sisapa, o propósito da audiência pública será justamente apresentar toda essa realidade à comunidade, e ouvir a opinião dos moradores de Pedro Afonso, as críticas e sugestões, para que o sistema possa ser melhorado e que seja viável. “Nós vamos mostrar à comunidade um levantamento histórico, e o que é a realidade do Sisapa hoje. Investimento em saneamento básico não é barato, precisa de muitos recursos, e nós não podemos olhar sem fazer nada. Então queremos conversar com a comunidade, e deixá-la consciente, de tudo o que é necessário para que tenhamos um serviço com mais qualidade”.   Caixas d’água   Outro ponto importante que será conversado durante a audiência é a necessidade dos moradores de Pedro Afonso instalarem caixas d’água em suas residências. O diretor do Sisapa diz que o município ainda estuda uma maneira de auxiliar nas aquisições – havia um projeto do ex-vereador Fernando Moraes que previa o débito na tarifa de água – mas o mais importante é os próprios moradores entenderem a importância da aquisição. “A caixa d’água é um benefício para os moradores, pois em uma eventual falta d’água, ele tem um reservatório para usufruir”, conclui.